PURGATÓRIO

 

 

BÊNÇÃO ESPECIAL  

 

Editorial do dia 8 de Março de 2015  

 

Nesta Página da Amen, pode encontrar a abordagem do Tema Global do

PURGATÓRIO

ÍNDICE 

 O que é o Purgatório

 A criação do Purgatório

 O Purgatório nas Sagradas Escrituras

 O Purgatório no Catecismo da Igreja Católica

 O Purgatório nas Revelações Privadas

O Purgatório nas Aparições de Fátima

O Purgatório nas Revelações de Santa Brígida

O Purgatório nas Revelações da Irmã Faustina Kovalska no seu Diário

O Purgatório nas Revelações da Fanny Moisseieva

O Purgatório nas Revelações da Maria Simma

O Purgatório nas Revelações da Maria Valtorta

 Conclusão e Conselhos

 

 O que é o Purgatório

Purgatório é o local, que foi criado por Deus, para purificação das almas daqueles que hão de dar entrada nos Céus, mas que ainda não estão totalmente preparados, por necessitarem de se purificarem, de cumprirem penas pelos pecados cometidos e de converterem a sua forma de pensar.

Ao conjunto das almas que se purificam no Purgatório chama-se a Igreja Padecente, que em conjunto com a Igreja Militante e com a Igreja Gloriosa formam a totalidade do Corpo Místico de Cristo, isto é, a Igreja Católica.

Quando cometemos um pecado, ficamos com uma Culpa e uma Pena temporal a cumprir. A Culpa é apagada (perdoada) no Sacramento da Confissão. Resta a Pena temporal, que é apagada pela Penitência que o sacerdote nos dá. Se o arrependimento pelo pecado cometido for sincero e total, se o propósito de não tornar a pecar for firme e sincero, se a Penitência que o Sacerdote nos dá for adequada, no tipo e na dimensão, ao pecado cometido, apaga totalmente a Pena temporal a cumprir.

Acontece que nem sempre todos os pecados são confessados, ou bem confessados, ou por eles não há um total arrependimento, ou a Penitência não é cumprida de coração contrito, ou não há o firme propósito de não voltar a cometer o pecado confessado. Todas estas razões fazem com que haja um acréscimo de impurezas que vai crescendo nas nossas almas, e que tem, antes de entrarmos nos Céus, de ser totalmente eliminado. A esta purificação da alma, pelos remanescentes dos pecados cometidos durante toda a nossa vida terrena, chama-se o cumprimento da Pena no Purgatório.

Podemos encontrar semelhanças entre este processo espiritual com o que se passa no campo material da formação de uma nódoa. Quando comemos, podemos deixar cair um pedacinho de comida na nossa roupa. Rapidamente retiramos o pedacinho da comida, mas quase sempre, persiste uma nódoa no tecido, que pode ser mais ou menos difícil de retirar por completo, chegando por vezes a ser um processo lento e exigir muito tempo de lavagem. Com o pecado nas nossas almas, passa-se exactamente a mesma coisa. Elimina-se a culpa na Confissão, mas persiste a Pena temporal a cumprir no Purgatório para eliminação total dos danos causados pelo pecado.

Esta purificação da alma pode durar dias ou anos, dependendo da longevidade das Penas a cumprir, e é desejada pela própria alma, que vendo o estado em que se encontra, perante a Luz Divina, no seu Julgamento Particular, não suporta as suas impurezas e deseja ir-se purificar para o Purgatório, antes de poder voltar a encarar Jesus Cristo, face a face.

Manuscrito do Purgatório da Irmã Maria da Cruz

Não pode perceber-se bem sem o ter experimentado. Vou no entanto, tentar explicar-lhe o melhor possível. A alma, ao deixar o corpo, encontra-se perdida, toda imersa em Deus, se assim se pode dizer. Encontra-se numa tal claridade que num instante revê a vida inteira e apercebe-se do que merece. E a própria alma, que vendo com tanta clareza, pronuncia a sua sentença. A alma não vê Deus, mas está possuída pela Sua presença. Se é pecadora como eu era e merece por isso o Purgatório, sente-se de tal modo esmagada pelo peso das faltas que ainda tem de apagar, que se lança por si mesma no Purgatório. Só então se compreende o bom Deus, o Seu amor pelas almas e a desgraça que é o pecado aos olhos da Sua Divina Majestade. São Miguel está presente quando a alma deixa o corpo, todas as almas o vêem e também eu o vi e ao meu Anjo da Guarda. São Miguel é como que a testemunha e o executor da Justiça Divina. Diz-se que leva as almas para o Purgatório, e embora uma alma não se leve, em certo sentido é verdade, na medida em que está lá presente à execução da sentença. Tudo o que se passa no Além é um mistério para o nosso mundo.

Para o cumprimento das Penas temporais e a Purificação das almas, existem, se assim o podemos dizer, 3 grandes Purgatórios:

Primeiro Purgatório - Este Purgatório, também conhecido pelo Grande Purgatório, é o Purgatório mais próximo do inferno e onde o sofrimento é maior. Ali não chegam as orações, as penitências, nem as Indulgências feitas pelos vivos em sufrágio das almas padecentes.

Manuscrito do Purgatório da Irmã Maria da Cruz

No grande Purgatório há diferentes graus. No mais baixo e mais doloroso, que é um inferno momentâneo, estão os pecadores que cometeram crimes enormes durante toda a sua vida e que a morte surpreendeu nesse estado sem lhes dar tempo para se arrependerem. Foram salvos como por milagre, muitas vezes pelas orações de parentes devotos ou de outras pessoas. Por vezes nem conseguiram confessar-se e o mundo crê que se perderam, mas o bom Deus na Sua Misericórdia infinita deu-lhes, no momento da morte, a contrição necessária à salvação atendendo a alguma acção que tenham praticado durante a vida. para estas almas, o Purgatório é terrível. É como o inferno à excepção de que no inferno se amaldiçoa a Deus, enquanto no Purgatório se bendiz e se Lhe agradece por nos ter salvo. Em seguida vêm as almas que não fizeram grandes crimes como as primeiras, mas foram indiferentes em relação a Deus. Não cumpriram durante a vida o dever pascal, e, convertidos igualmente à hora da morte, não tendo sequer podido comungar, estão no Purgatório em penitência da sua longa indiferença, sofrendo penas indescritíveis, abandonadas, sem orações... ou, se as fazem por elas, não podendo aproveitá-las. Há ainda neste Purgatório religiosos e religiosas tíbios, negligentes dos seus deveres, indiferentes com Jesus, e Padres que não exerceram o seu ministério com a reverência devida à soberana Majestade e não ajudaram as almas que lhes foram confiadas a amar o bom Deus.

Segundo Purgatório - É o Purgatório  intermédio e onde o sofrimento ainda é muito grande mas menor que no primeiro. Ali já chegam as orações, as penitências e as Indulgências feitas pelos vivos em sufrágio das almas padecentes.

Manuscrito do Purgatório da Irmã Maria da Cruz

No segundo Purgatório encontram-se as almas dos que morrem com pecados veniais, não expiados antes da morte, ou pecados mortais perdoados mas pelos quais não satisfizeram inteiramente a justiça divina. Também há neste Purgatório diferentes graus segundo os méritos das pessoas. Assim o Purgatório dos consagrados e dos que receberam mais graças é mais longo e penoso que o do comum dos mortais'

Terceiro Purgatório - Este Purgatório, também conhecido pelo Átrio, é o mais próximo da saída, e onde o sofrimento é muito menor que no segundo. Neste terceiro Purgatório há ainda uma terrível solidão e remorso pelos pecados cometidos. Ali chegam plenamente as orações, as penitências e as Indulgências feitas pelos vivos em sufrágio das almas padecentes.

Manuscrito do Purgatório da Irmã Maria da Cruz

Enfim, o Purgatório de desejo que denominamos Átrio e que muito Poucos evitam. Para o evitar é preciso ter desejado ardentemente o Céu e a contemplação de Deus, o que é mais raro do que parece, porque muitas Pessoas, mesmo piedosas, Lhe têm medo e não desejam o Céu com verdadeiro ardor. Este Purgatório tem, como os outros, o seu martírio: ser privado da visão do bom Jesus!

Em todos os 3 Purgatórios o maior dos sofrimentos é sempre a ausência de Deus, depois de O ter visto no seu Julgamento Particular.

O tempo do cumprimento das Penas pode ser abreviado pela Oração e Penitência que for feita pelos vivos ou pelo recurso a Indulgências.

Este assunto foi devidamente aprofundado no Dossier da Oração no Capítulo da Economia Divina, das Indulgências, das Novenas.

O Purgatório é um local de grande sofrimento e solidão que se encontra no centro da Terra, ao lado do Inferno e do Limbo, mas não tem com eles comunicação.

Se bem que o Purgatório é o local elegido por Deus para cumprimento das penas temporais para purificação das almas, por vezes elas tem permissão para as cumprir à face de Terra em determinados locais em que viveram. Estas almas do Purgatório são incapazes de fazer mal aos vivos, pois já têm garantido o Céu, e por isso são chamadas de “santas almas do Purgatório”.

Não por serem chamadas em sessões espíritas, mas sim por desígnio de Deus e por Sua iniciativa, estas almas do Purgatório, em raras ocasiões, comunicam-se com os vivos, por desígnio Divino. Foi este o caso dos inúmeros contactos que estas almas do Purgatório tiveram com a Maria Simma.

O Purgatório é também um lugar de profunda, total e absoluta Conversão. Tudo o que era errado, é corrigido. Toda a ignorância é aniquilada. Toda a diferença doutrinal é desfeita. A Alma é preparada para receber infusão da Sabedoria Divina, face a face. Passa a haver o Triunfo absoluto e Eterno da Verdade, e por isso, um só Deus, que é Amor. Os falsos deuses desapareceram totalmente da mente que neles acreditava, porque viram o único Deus, frente a frente, a quem foi dado todo o Poder nos Céus e na Terra! Por isso, se pode afirmar, sem margem de erro:

- No Paraíso só há Católicos, porque todos aqueles que militaram em falsas religiões, se converteram no Purgatório, inteiramente, em Espírito e Verdade.

 

 

 A criação do Purgatório

A Criação do Universo e de todas as suas criaturas foi antecedida na mente Divina, por um Plano da Criação. Enquanto o Génesis nos relata a Criação, o Plano de Deus ficou-nos relatado na extraordinária obra a Mística Cidade de Deus.

Foi na “Mística Cidade de Deus” , escrito por Sor Maria de Jesus de Agreda, que fui buscar muito do material com que construí o Dossier da Amen sobre a Criação do Universo.

Passo a apresentar alguns dos extractos deste Dossier sobre a Criação do Universo.

Para melhor compreendermos este Plano da Criação, Maria de Jesus de Agreda dividiu-o em 6 instantes, tendo a sua realização se verificado no Primeiro Dia da Criação, e que descrevi em Plano da Criação. No 5º Instante foi determinado a Criação da Natureza Angélica, que ficou assim descrito:

5º Instante Æ MCD-1-46-47 46 - E passo ao quinto instante, embora já tenha descoberto o que procurava. Neste quinto instante, foi determinada a criação da natureza angélica que, por ser mais excelente e de acordo, pelo seu ser espiritual, com a divindade, foi primeiro prevista e decretada a sua criação e disposição admirável em nove coros e três hierarquias.

47 - A este instante pertence a predestinação dos bons e condenação dos maus Anjos; nele viu e conheceu Deus, com Sua infinita ciência, todas as obras de uns e de outros, na sua devida ordem, para predestinar com Sua livre vontade e liberal misericórdia os que Lhe iriam obedecer e reverenciar e para condenar com Sua justiça os que se iriam levantar contra Sua Majestade, em soberba e desobediência, por seu desordenado amor próprio. E ao mesmo instante pertence a determinação de criar o céu empíreo, onde se manifestasse a Sua glória e nela premiasse os bons, e a terra e tudo o mais para as outras criaturas, e no centro ou mais profundo dela, o inferno, para castigo dos Anjos maus.

Juntamente com a criação da Terra, foi criado o inferno, para onde iriam os condenados que se  revoltassem contra os decretos Divinos e o próprio Deus, o Limbo e o Purgatório no seu centro.

MCD-1-82  82 - … E criou Deus, com o céu empíreo da terra, juntamente, para formar o seu centro, o inferno; com efeito, no instante em que foi criada, por divina disposição, ficaram no meio deste globo cavernas muito profundas e amplas, capazes de constituir o inferno, limbo e Purgatório; e no inferno, ao mesmo tempo, foi criado fogo material e as demais coisas que agora ali servem de pena aos condenados.

MCD-2-1460 1460 - Num dos lados do inferno está o Purgatório, onde as almas dos justos se purificam, quando nesta vida não acabaram de satisfazer suas culpas e dela não saíram tão purificados, quanto é necessário para chegar à visão beatífica. Esta caverna também é grande, porém, muito menor que o inferno e, ainda que no Purgatório haja grandes penas, não tem comunicação com o inferno dos condenados. Em outro lado encontra-se o Limbo com duas estâncias diferentes: uma para as crianças que morrem só com o pecado original e sem obras boas ou más do próprio arbítrio; a outra estância servia de permanência para as almas dos justos já purificadas de seus pecados. Não podiam entrar no Céu, nem gozar de Deus, até que se operasse a Redenção humana e Cristo nosso Salvador lhes abrisse a porta (SI 23, 9) fechada pelo pecado de Adão. A caverna do Limbo também é menor que o inferno, não se comunica com ele, nem tem penas dos sentidos como o Purgatório. Lá chegavam as almas já purificadas no Purgatório e só careciam da visão beatífica, privação em que consiste a pena de dano. Ali se encontravam todos os que haviam morrido em graça, antes da morte do Salvador. Neste Limbo, desceu Sua alma Santíssima unida à divindade, e isto significamos ao dizer que desceu aos infernos . O termo inferno significa qualquer daqueles lugares inferiores, situados nas profundezas da Terra, ainda que comummente ao dizer inferno, entendemos o dos demónios e condenados. E o sentido que mais lhe atribuem, assim como por Céu, entendemos o empírio onde estão e permanecerão para sempre os Santos. Depois do Juízo Final só o Céu e o inferno serão habitados. O Purgatório já não será necessário, e as crianças do Limbo sairão para outra morada diferente.

Da leitura desta passagem ( MCD-2-1460 1460) podemos concluir que o Purgatório é local de passagem para purificação dos danos causados pelo pecado, e que terminará a sua existência no Juízo Final.

MCD-3-655 655 - Em todas as festividades que a grande Senhora celebrava, obtinha a conversão de inumeráveis almas que, então e depois, abraçaram a Fé Católica. No dia da Encarnação era ainda maior a indulgência, pois mereceu para muitos reinos, províncias e nações, os benefícios e favores que eles têm recebido, depois de terem sido chamados à Santa Igreja. Os mais perseverantes na Fé Católica são também os mais devedores aos rogos e méritos da divina Mãe. Em particular, foi-me dado a entender que, nos dias em que celebrava o mistério da Encarnação, tirava todas as almas que se encontravam no Purgatório. No Céu era-lhe concedido este favor, como à Rainha da Criação e Mãe do Redentor do mundo. Enviava Anjos para trazê-las e as oferecia ao Eterno Pai como fruto da Encarnação, pela qual enviava ao mundo seu Unigénito Filho, a fim de conquistar-lhe as almas que o inimigo havia tiranizado.

 

 O Purgatório nas Sagradas Escrituras

Algumas referências nas Sagradas Escrituras:

2 Macabeus 12, 43-46 -  Sufrágio pelas almas do Purgatório (Note-se que os protestantes e as testemunhas de Jeová, que não acreditam no Purgatório, não têm os livros dos Macabeus na sua Bíblia.)

1 Coríntios 3, 13-15 -  Expiação pelas suas obras no Purgatório que não causam a morte eterna.

1 João 5, 16 -  Sufrágio pelas almas do Purgatório que não cometeram pecado que conduza ao inferno.

Mateus 18, 23-25 - Imagem do Purgatório como pagamento de uma dívida.

Apocalipse 21, 27 - É necessária uma purificação perfeita para se entrar no Céu.

 

 

 O Purgatório no Catecismo da Igreja Católica

Catecismo da Igreja Católica

§1030   Os que morrem na graça e na amizade de Deus, mas não estão completamente purificados, embora tenham garantida sua salvação eterna, passam, após sua morte, por uma purificação, a fim de obter a santidade necessária para entrar na alegria do Céu.

§1031   A Igreja denomina Purgatório esta purificação final dos eleitos, que é completamente distinta do castigo dos condenados. A Igreja formulou a doutrina da fé relativa ao Purgatório sobretudo no Concílio de Florença e de Trento. Fazendo referência a certos textos da Escritura, a tradição da Igreja fala de um fogo purificador:

No que concerne a certas faltas leves, deve-se crer que existe antes do juízo um fogo purificador, segundo o que afirma aquele que é a Verdade, dizendo, que, se alguém tiver pronunciado uma blasfémia contra o Espírito Santo, não lhe será perdoada nem presente século nem no século futuro (Mt 12,32). Desta afirmação podemos deduzir que certas faltas podem ser perdoadas no século presente, ao passo que outras, no século futuro.

§1032   Este ensinamento apoia-se também na prática da oração pelos defuntos, da qual já a Sagrada Escritura fala: "Eis por que ele [Judas Macabeu) mandou oferecer esse sacrifício expiatório pelos que haviam morrido, a fim de que fossem absolvidos de seu pecado" (2Mc 12,46). Desde os primeiros tempos a Igreja honrou a memória dos defuntos e ofereceu sufrágios em seu favor, em especial o sacrifício eucarístico, a fim de que, purificados, eles possam chegar à visão beatífica de Deus. A Igreja recomenda também as esmolas, as indulgências e as obras de penitência em favor dos defuntos:

Levemos-lhes socorro e celebremos sua memória. Se os filhos de Jó foram purificados pelo sacrifício de seu pai que deveríamos duvidar de que nossas oferendas em favor dos mortos lhes levem alguma consolação? Não hesitemos em socorrer os que partiram e em oferecer nossas orações por eles.

§1472   AS PENAS DO PECADO

Para compreender esta doutrina e esta prática da Igreja, é preciso admitir que o pecado tem uma dupla consequência. O pecado grave priva-nos da comunhão com Deus e, consequentemente, nos torna incapazes da vida eterna; esta privação se chama "pena eterna" do pecado. Por outro lado, todo pecado, mesmo venial, acarreta um apego prejudicial às criaturas que exige purificação, quer aqui na terra, quer depois da morte, no estado chamado "purgatório". Esta purificação liberta da chamada "pena temporal" do pecado. Essas duas penas não devem ser concebidas como uma espécie de vingança infligida por Deus do exterior, mas, antes, como uma consequência da própria natureza do pecado. Uma conversão que procede de uma ardente caridade pode chegar à total purificação do pecador, de tal modo que não haja mais nenhuma pena.

 

 

 O Purgatório nas Revelações Privadas

Para além das valiosas revelações que nos foram feitas na Mística Cidade de Deus, em quase todas as Revelações Privadas há a referência ao Purgatório.

Nas obras de Santa Brígida, de Santo Afonso Maria de Ligório, de Santa Francisca Romana e nas de muitos outros santos da história da Igreja, nos são dadas exortações à oração pelas santas almas do Purgatório.

Existem também cinco livros sobre o Purgatório, escritos por almas eleitas, que merecem uma menção destacada:

Manuscrito do Purgatório, da Irmã Maria da Cruz, que escreve o testemunho da Irmã Gabriela que se encontrava no Purgatório.

Maria Simma e as Almas do Purgatório.

Entrevista da Irmã Emanuel a Maria Simma.

Tratado do Purgatório, de Santa Catarina de Génova.

Tratado do Purgatório, de Santa Catarina de Sena.

Link de uma boa página sobre o Purgatório, do site espanhol “Foros de la Virgen”, que tem vários outros links com outras páginas muito boas.

 

Para além destas obras atrás referidas, vou apresentar alguns extractos de Revelações mais recentes e significativas.

O Purgatório nas Aparições de Fátima

O Purgatório nas Revelações de Santa Brígida

O Purgatório nas Revelações da Irmã Faustina Kovalska no seu Diário

O Purgatório nas Revelações a Fanny Moisseieva

O Purgatório nas Revelações da Maria Simma

O Purgatório nas Revelações da Maria Valtorta

 

O Purgatório nas Aparições de Fátima

Quando a Lúcia pergunta a Nossa Senhora sobre o destino de algumas pessoas que já tinha morrido, A Virgem Maria falou do Purgatório.

Do Relato da 1ª APARIÇÃO na Cova da Iria a 13 de Maio de 1917

Lúcia: E a Amélia?

NOSSA SENHORA: «Estará no Purgatório até ao fim do mundo». Quereis oferecer-vos a Deus para suportar todos os sofrimentos que Ele quiser enviar-vos, em acto de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido, e de súplica pela conversão dos pecadores?»

 

O Purgatório nas Revelações de Santa Brígida

As Profecias e Revelações de Santa Brígida

O Purgatório e seus diferentes Graus

LIVRO 4 - Capítulo 6

 REVELAÇÕES DO PURGATÓRIO

O Juízo Particular de uma alma

Santa Brígida estava rezando, quando numa visão espiritual, viu um palácio muito grande e cheio de gente, todos com roupas brancas resplandecentes e cada um em seu assento. Mas havia um trono judicial superior aos outros, que estava ocupado por um Ser como o Sol. Dele saía uma prodigiosa Luz e o resplendor era de dimensões notáveis na longitude, latitude e profundidade. Próximo ao trono estava uma Virgem com uma preciosa coroa na cabeça, e todos do palácio serviam Aquele que estava no trono brilhando como um Sol, dando-Lhe mil louvores com hinos e cânticos.

Atrás Dele, vi um negro, como se fosse um etíope, feio e de aspecto abominável, cheio de imundice e inflamado de cólera, que começou a gritar dizendo:

“Ó Juiz justo, julga esta alma e ouve as suas obras, porque pouco lhe resta de estar no corpo, e me dá licença para que atormente a alma e o corpo no que for justo.”

Depois, a Santa viu um soldado armado junto ao trono, com aspecto modesto, sábio nas palavras e educado em seus gestos, dizendo:

“Ó Juiz, vês aqui as boas obras que esta alma fez até hoje.”

E logo se ouviu uma voz do trono dizendo:

“São, pois, os vícios que existem nesta alma, mais que as virtudes. Não é justiça que tenha a soma dos vícios como parte da virtude, nem elas podem se juntar.”

Em seguida disse o negro:

“Para mim é de justiça que esta alma me seja entregue; que ela tenha vícios não importa, porque estou cheio de maldades, e assim, ela estará bem comigo.”

Disse o soldado:

“A misericórdia de Deus acompanha todas as pessoas até à morte, e até que a alma tenha saído do corpo não se pode dar uma sentença; e esta alma, sobre a qual pleiteamos, ainda está no corpo e tem sua liberdade para escolher o seu caminho.”

Replicou o negro:

“A Escritura que não pode mentir diz: Amarás a Deus sobre todas as coisas e a teu próximo como a ti mesmo. E tudo que esta alma tem feito é por temor, não por amor a Deus, e todos os pecados que ela confessou, foi com pouca contrição e arrependimento. Assim sendo, ela não merece o Céu, justo é que ela seja enviada ao inferno, pois seus pecados estão aqui absolutamente claros diante da Justiça Divina, e deles, ela nunca teve uma verdadeira contrição e arrependimento.”

Disse o soldado:

“Esta infeliz, esperou e acreditou que assistida pela graça teria essa verdadeira contrição.”

Respondeu o negro:

“Tens trazido aqui tudo o bem feito por esta alma, todas as sua palavras e pensamentos que possam lhe servir para a salvação; mas tudo isto não é suficiente nem com muita boa vontade, comparando ao que vale um  verdadeiro acto de contrição e arrependimento, nascido da caridade Divina com fé e esperança; e por conseguinte, não pode servir para apagar todos os seus pecados. Isto porque, a Justiça é de Deus, definida em sua eternidade, que ninguém se salvará sem arrependimento; e como é possível que Deus vá contra este seu decreto eterno? Resulta que, com toda razão peço esta alma para ser atormentada com a pena eterna no inferno.”

O soldado não replicou, e logo apareceram inúmeros demónios, semelhantes às centelhas que saem de um fogo ardente, e uma voz clamava dizendo ao que estava no trono:

“Bem sabemos que é um Deus em três Pessoas Divinas, que não tem princípio e nem fim, nem existe outro Deus senão Tu, que é o verdadeiro Amor (Caridade), em Quem se junta a Misericórdia e a Justiça. Tu estás em Ti Mesmo desde o princípio, não há em Ti nenhuma modificação ou inconstância, Tu és o Mesmo, tudo está em Ti perfeitamente acabado e completo como convém a um Deus; fora de Ti não existe nada, e sem Ti não existe satisfação e nem alegria.”

“Teu Amor fez os Anjos com o poder de Tua Divindade, e os fizestes segundo a Vossa infinita Misericórdia. Mas depois que interiormente nos inflamámos com a soberba, inveja e avareza, Tua Caridade, que ama a Justiça, jogou-nos do Céu com o fogo de nossa malícia ao incompreensível e tenebroso abismo que se chama inferno. Assim fez então Tua Caridade, que também não se afastará agora de Teu justo julgamento, que se faz segundo a Tua Misericórdia, ou segundo a Tua Justiça. E ainda nos atrevemos a dizer, que se o que amas com preferência a todas as coisas, que é a Virgem Maria, Tua Mãe e que Te gerou, e que nunca pecou, se tivesse pecado mortalmente e morrido sem contrição Divina, amas tanto a Justiça, que sua alma nunca teria subido ao Céu. Logo, ó Juiz, porque não declaras ser nossa esta alma, para que a atormentemos segundo as suas obras”?

Ouviu-se depois o som de uma trombeta e todos ficaram em silêncio, e uma voz disse:

“Calai e ouvi todos vocês, Anjos, almas e demónios, vai falar a Mãe de Deus.”

Em seguida a Virgem Maria apareceu diante do trono do Juiz, trazendo muitas coisas escondidas debaixo do manto, e disse aos demónios:

“Vocês, inimigos, perseguis a misericórdia, e sem nenhuma caridade pregais a justiça. Ainda que seja verdade que esta alma se acha em falta com as boas obras, e por falta delas não possa entrar no Céu, olhem o que trago debaixo de meu manto.”

E levantando um painel por ambos lados, via-se uma pequena igreja e nela alguns religiosos; e pelo outro lado viam-se homens e mulheres, amigos de Deus, e todos rezavam a uma só voz, dizendo:

“Senhor, tenha misericórdia dessa alma.”

Reinou um grande silêncio e Nossa Senhora prosseguiu:

“A Sagrada Escritura diz que aquele que tem uma verdadeira fé pode mudar os montes de um lugar para outro. O que não podem fazer então os clamores e súplicas de todos aqueles que tem fé e servem a Deus com fervoroso amor? O que não podem alcançar os amigos de Deus, que rogaram e pediram por esta alma, para que fosse afastada do inferno e conseguisse o Céu, e bem mais ainda quando por suas boas obras não procuraram outra vantagem que os bens celestes para aquele que necessitava? Porventura, não podem as lágrimas e as orações de todos os bem-aventurados ajudar a levantar esta alma, para que antes de sua morte tenha uma verdadeira contrição com o Amor de Deus? Eu também unirei os meus rogos as orações de todos os Santos que estão no Céu, a quem esta pessoa honrava com particular veneração. “E a vós demónios, vos mando da parte do Juiz e de seu poder, que atendais em sua justiça ao que estão vendo agora.”

E todos responderam numa só voz:

“Vemos que no mundo as lágrimas e o arrependimento aplacam a ira de Deus, assim os pedidos que são feitos O inclinam à Misericórdia com Amor.”

Depois disto, ouviu-se uma voz que saiu Daquele que estava sentado no Trono resplandecente:

“Pelos rogos de Meus amigos, esta pessoa terá contrição antes da morte e não irá para o inferno, irá para o Purgatório com os que ali padecem tormentos por causa de seus pecados; e assim que terminar de pagar todos os seus pecados, receberá seu prémio no Céu, com aqueles que tiveram fé e esperança, mas com pouca caridade.”

E assim que ouviram isto, os demónios fugiram.

Depois, Santa Brígida viu que foi aberto um abismo profundo tenebroso, no qual havia um forno imenso incandescente, e no meio daquele fogo sobrenatural estavam os demónios e as almas vivas, que se abrasavam ardendo num calor insuportável e impiedoso. Sobre aquele forno estava a alma cheia de aflição. Tinha os pés fixos numa haste do forno, com o corpo levantado, e não estava no mais alto nem no mais baixo do forno. Sua figura tinha um aspecto horrível. O fogo parecia sair debaixo dos pés da alma e vir subindo, como a água sobe por um cano; e se comprimindo violentamente, passava por cima da cabeça da alma, de modo que por todos os seus poros e veias corria um fogo abrasador. As orelhas lançavam fogo como de uma forja, que com o contínuo sopro lhe atormentava o cérebro.

Os olhos estavam torcidos e afundados, como se estivessem na nuca. A boca estava aberta e a língua enfiada pelas aberturas das narinas, e pendurada até aos lábios. Os dentes eram agudos como cravos de ferro, fixos no palato. Os braços aumentaram tanto que chegavam até os pés. As mãos estavam cheias e comprimiam sebo e peixe incandescentes. A pele que cobria o corpo da alma, era suja e asquerosíssima, tão feia e fria, que só de ver causava tremor, e dela saía uma matéria como de uma úlcera inflamada com sangue e pus, com um fedor tão horrível, que não se pode comparar com nada asqueroso do mundo.

Depois de ver este tormento, a Santa ouviu uma voz que saía do íntimo daquela alma, que repetiu cinco vezes:

“Ai de mim! Ai de mim"! Clamando com toda força e derramando abundantes lágrimas. "Ai de mim que tão pouco dei atenção e amei a Deus pelas Suas Supremas Virtudes e pelas graças que me concedeu, e que eu não soube aproveitá-las! Ai de mim, que não temi como devia a Justiça de Deus! Ai de mim, que amei os prazeres de meu Corpo e de minha carne pecadora! Ai de mim, porque conheci os terríveis Luiz e Juana!”

E logo o Anjo disse a Santa Brígida:

“Eu vou te explicar esta visão. Aquele palácio que tu viste é à semelhança do Céu. A multidão que estava nos assentos e tronos com veste branca e resplandecentes são os Anjos e as Almas dos Santos. O Sol que estava no trono mais alto, é Jesus Cristo na sua Divindade. A mulher é a Virgem Mãe de Deus. O negro é o diabo que acusa a alma e quer se apossar dela. O soldado é o Anjo da Guarda, que apresenta as boas obras feitas por aquele homem. O forno incandescente é o inferno, que permanece ardendo com suas terríveis chamas em toda pujança, e tão violentas elas são, que se o mundo com tudo o que tem se incendiasse, ainda não podia se comparar com a veemência e o horror daquele fogo. No inferno ouvem-se diversas vozes, todas contra Deus, e todas principiam e acabam com um ai, um grito de horror, de angústia e de sofrimento. E as almas parecem pessoas, cujos membros se estendem e são atormentados pelos demónios, sem descanso algum. Por outro lado, as almas que estão a se abrasar no fogo que arde na fornalha das trevas eternas, não têm todas as mesmas penas. Tudo é determinado pela Justiça Divina pela grandeza e imensidão dos pecados de cada uma.

Aquele tenebroso lugar que viste ao redor do imenso forno, é o limbo, que participa das trevas do forno, mas não de suas penas, e ambos são lugares do inferno, e os que ali entram, nunca alcançarão a visão de Deus. Acima dessas trevas, ou seja, bem perto do inferno, está a maior pena que as almas podem sofrer no Purgatório. E para além deste lugar, na outra extremidade, há outro lugar, onde se sofre a pena menor do Purgatório, que somente consiste em faltas menores, de pecados veniais e outras coisas semelhantes.

Existe também um outro lugar no Purgatório, superior a esses dois, onde não se padece outra pena, senão a do desejo de ver Deus e gozar da Sua adorável companhia. Nesta purificação espiritual a alma sente uma indomável vontade de ver e de se aproximar de Deus, mas sente que não consegue enquanto não concluir a sua sentença.

Em primeiro lugar, a alma é colocada sobre as trevas do inferno, onde ela sofre a maior pena do Purgatório, conforme viste padecer aquela alma. Ali há vermes peçonhentos e animais selvagens; há calor e frio; existe confusão e trevas vindas das penas do inferno, e umas almas tem ali maiores penas e tormentos que outras, conforme fizeram maior ou menor reparação dos seus próprios pecados, até quando as suas almas deixaram os seus corpos.

Logo a Justiça de Deus tira a alma daquele local e envia a outros lugares, onde permanecem detidas até alcançar algum refrigério e ajuda de seus amigos particulares, ou dos sacrifícios e das contínuas boas obras da Santa Igreja. A alma que tem maiores auxílios, mais rápido cumpre sua pena e se livra daquele lugar.

Dali a alma vai para o terceiro estágio, onde não existe mais pena além do imenso desejo de chegar na presença de Deus, e de gozar de sua visão beatífica. Neste lugar existem muitas pessoas há bastante tempo, porque quando viveram no mundo, não tiveram um perfeito desejo de chegar à presença de Deus e desfrutar da alegria e satisfação de estar na presença dEle.

O Anjo também narrou que muitos morrem tão justos e tão inocentes, que logo após a morte, chegam à presença de Deus, gozam da alegria e do prazer de estar junto do Senhor; outros morrem, depois de reparar todos os seus pecados no mundo, de modo que suas almas não recebem nenhuma pena ou castigo. Mas são poucos os que não vão ao lugar aonde se padece o castigo do desejo de encontrar Deus, de matar a saudade de Deus. As almas que estão nestes três lugares, participam das orações e boas obras da Santa Igreja, que se faz no mundo; principalmente daquelas que elas fizeram enquanto viveram, e das que seus amigos fazem por elas depois da morte. Dessa forma, como os pecados são diferentes e de muitas classes, assim também as penas são diferentes; significa dizer que no Purgatório existe o local certo para cada alma pagar sua dívida com a Justiça de Deus. Assim, todas as orações, sacrifícios e Santas Missas que forem celebradas em sufrágio das almas, são providências preciosas, e elas lucram e participam de tudo o que por elas se faz no mundo.

Prosseguiu o Anjo, seja bendito de Deus todo aquele que no mundo ajuda as almas com suas orações e com os seus sacrifícios. A Justiça de Deus diz, que as almas que vão se purificar depois da morte com a pena do Purgatório, podem ser ajudadas com as boas obras de seus amigos e da Igreja, para que saiam mais cedo.”

Depois disto, ouviram-se muitas vozes do Purgatório que diziam:

"Meu Senhor Jesus Cristo, justo Juiz, envie Seu Amor para aqueles que têm o poder espiritual no mundo, e então nós poderemos participar mais do que agora de seu canto, das lições e dos oferecimentos.”

Em cima, de onde saíam estes clamores havia uma espécie de casa, na qual se ouviam muitas vozes que diziam:

"Deus pague àqueles que nos ajudam e aliviam as nossas faltas.”

Na mesma casa parecia nascer a aurora, e em baixo desta apareceu uma nuvem que não participava da clareza da aurora, da qual saiu uma grande voz que disse:

"Ó Senhor Deus, dá de Teu incompreensível poder cem por um, a todos os que no mundo nos ajudam e nos elevam com suas boas obras, para que vejamos a luz de Tua Divindade, e gozemos de Tua presença e da Tua Divina Face.”

Continuação da revelação sobre o Purgatório.

LIVRO Nº 4 - Capítulo 7

Disse o Anjo a Santa Brígida:

“Aquela alma de que viste e ouviste a sentença, está na pena mais grave do Purgatório. Isto foi ordenado por Deus, porque ela se vangloriava muito com as coisas do mundo e de seu corpo; mas das espirituais e de sua alma não fazia caso, porque não se lembrava do muito que devia a Deus e o desprezava. Por isso sua alma padece no ardor do fogo e treme de frio; as trevas a deixam cega, à horrível e temerosa vista de satanás e seus esbilros, e a vozearia e clamor dos demónios a deixam surda, interiormente padece fome e sede, e exteriormente se sente cheia de confusão e vergonha.

Deus concedeu a esta alma uma graça especial, não permitindo que os demónios a tocassem e a atormentassem, quando ocorreu o óbito. Isto aconteceu porque ela se encontrava em início de conversão. Todo o bem que fez e tudo o que prometeu e deu dos seus bens adquiridos licitamente, e principalmente as orações dos amigos de Deus, diminuíram e aliviaram a sua pena, segundo foi determinado pela justiça Divina. Mas quanto aos bens que deu os quais não foram adquiridos correctamente, ficou em proveito daqueles que justamente os possuíam antes, ou lhes servem em seu corpo, se são dignos disso, segundo a disposição do Senhor.”

Conclusão do assunto sobre o Purgatório.

LIVRO 4 - Capítulo 8

Disse o Anjo a Santa Brígida:

“Já ouviste como pelos rogos dos amigos de Deus aquela alma antes de morrer teve arrependimento de seus pecados. Nascida do amor de Deus, o seu arrependimento a livrou do inferno. Assim, a Justiça de Deus sentenciou que ela ardesse no Purgatório por seis períodos de tempo, ou seja, por seis vezes a quantidade de anos em que ela viveu, desde que com pleno conhecimento cometeu o primeiro pecado mortal até o dia em que por amor a Deus começou a se arrepender da transgressão. Este tempo poderá ser reduzido, se receber auxílio do mundo e dos amigos de Deus (na Igreja ou no lar).

O primeiro período se compreende por aquele em que não amou a Deus por sua Divina paixão e morte, e pelas muitas tribulações que o Senhor sofreu para a salvação das almas. O segundo período é aquele em que não amou a sua própria alma como deveria fazer um cristão responsável, nem dava graças a Deus por ter recebido o Baptismo, e porque não era judeu e nem pagão. O terceiro período abraça aquele tempo em que sabendo bem o que Deus tinha mandado, teve pouco interesse em fazer ou proceder daquele modo. O quarto período é aquele em que sabia bem o que Deus tinha proibido aos que quisessem ir para o Céu, e atrevidamente fez exactamente aquilo que não podia e nem devia fazer, se deixando levar pelo desejo sexual e desobedecendo à voz de sua consciência. O quinto período foi aquele em que não usou a graça Divina que se lhe oferecia, nem da Confissão, como é absolutamente normal a todas as pessoas, embora tivesse muito tempo para isso, para revelar o seu arrependimento pelos pecados cometidos. O sexto período compreende aquele no qual recebia com pouca frequência o Corpo e Sangue de Jesus porque não deixava de pecar, nem teve a devida caridade ao recebê-lO no final de sua vida.”

Há um lugar no Purgatório, onde não se padece outra pena senão o desejo de ver e estar junto de Deus.

LIVRO 4 - Capítulo 91

Santa Brígida estava rezando por um sacerdote idoso ermitão, seu amigo, que acabava de morrer, e tinha tido uma vida exemplar, cheia de grandes virtudes, e já estava num caixão na Igreja pronto para ser sepultado.

Então lhe apareceu a Santa Virgem Maria e lhe disse:

“Saiba Minha filha, que a alma deste ermitão, seu amigo, teria entrado no Céu no momento em que deixou o seu corpo, mas no instante de sua morte ele não teve o desejo de se apresentar à presença de Deus e de ver o Senhor. E por esta razão encontra-se detido no “Purgatório do desejo”, onde não há nenhuma pena, a não ser a impossibilidade de cumprir o desejo de ir ao encontro de Deus. Contudo, antes que seja sepultado o seu corpo, a sua alma pelos méritos adquiridos em vida entrará na glória eterna.”

A Virgem Maria aproveitou para instruir Santa Brígida de quanto é importante deixar os acontecimentos nas Mãos de Deus como manifestação de amor a Deus, não se esfalfando preocupadamente em solucionar dificuldades que fogem totalmente ao controle humano. A confiança em Deus é fundamental e necessária como demonstração de amor a Deus, e ela se concretiza desde os menores actos de colocar confiantemente nas Mãos do Senhor, a súplica de uma orientação, para a solução de algum problema.

 

O Purgatório nas Revelações da Irmã Faustina Kovalska no seu Diário

Diário da Santa M. Faustina Kovalska

 20 Pouco tempo depois disto, caí doente 20 - A minha querida Madre Superiora mandou-me, juntamente com duas outras Irmãs21, passar um período de férias em Skolimów, nos arredo­res de Varsóvia. Nessa altura, perguntei ao Senhor: «Por quem mais devo rezar?» Jesus respondeu-me que na noite seguinte mo daria a conhecer [,por quem mais devo rezar].

E foi então que vi chegar o Anjo da Guarda, que me man­dou acompanhá-lo. Imediatamente me encontrei num lugar ne­buloso, cheio de fogo, e reparei que dentro das chamas havia uma enorme multidão de almas sofredoras. Essas almas reza­vam com muito fervor, mas sem nada conseguirem obter para si próprias: apenas nós as podemos ajudar. As chamas que as queimavam não me tocavam. O meu Anjo da Guarda nem por um momento se afastou de mim. Perguntei a essas almas qual era o seu maior sofrimento. Responderam-me, unânimes, que o maior tormento que padeciam era o do ardente desejo de Deus.

Via Mãe de Deus, que visitava as almas no Purgatório. Almas estas que chamam a Maria a "Estrela do Mar". Ela leva-lhes refrigério. Bem desejava ter conversado mais com es­sas almas, mas o meu Anjo da Guarda fez-me sinal para sair­mos. E retirámo-nos pela porta dessa prisão de sofrimento. [Ouvi então uma voz interior] que me dizia: A Minha Mise­ricórdia não deseja isto, mas a Justiça exige-o. Foi a par­tir desse momento que comecei a ficar em mais estreita ligação com as almas sofredoras.

 

Nas passagens referentes à Novena da Divina Misericórdia, encontramos:

1226 Hoje traz-Me as almas que se encontram na prisão do Purgatório e mergulha-as no abismo da Minha Mise­ricórdia. Que as torrentes do Meu Sangue refresquem o seu ardor. Todas estas almas Me são muito queridas, pa­gam as dívidas à Minha Justiça. Está ao teu alcance le­var-lhes alívio. Tira do tesouro (64) da Minha Igreja to­das as indulgências e oferece-as por elas... Oh, se sou­besses o seu tormento, continuamente oferecerias por elas a esmola espiritual e pagarias as suas dívidas à Mi­nha Justiça.

1227 Misericordiosíssimo Jesus, que dissestes Vós próprio que queríeis misericórdia, eis que levo à morada do Vosso tão com­passivo Coração as almas do Purgatório. Estas almas são-VosJustiça. Que as torrentes do Sangue e da Água que brotaram muito queridas, mas têm que satisfazer as dívidas à Vossa Justiça. Que as torrentes do Sangue e da Água que brotaram do Vosso Coração extingam as chamas do fogo do Purgatório, para que também ali seja glorificado o poder da Vossa Miseri­córdia.

Do fogo do Purgatório, terrível ardor, *

Ergue-se à Vossa Misericórdia um gemido;

Consolo e refrigério, recebem em amor **

Na torrente da Agua e do Sangue vertido.

Eterno Pai, atendei com olhar de misericórdia às almas que sofrem no Purgatório e que estão encerradas no Coração tão compassivo de Jesus. Pela dolorosa Paixão de Jesus, Vosso Filho, e por toda a amargura que encheu a Sua Santíssima Alma, mostrai a Vossa Misericórdia às almas que se encon­tram sob o Vosso olhar justo. Não olheis para elas senão atra­vés das Chagas de Jesus Vosso muito Amado Filho, pois acre­ditamos que a Vossa Bondade e Piedade são sem limites.

1738 Disse-me o Senhor: Entra com frequência no Purgatório, porque lá precisam de ti. …

 

 

O Purgatório nas Revelações a Fanny Moisseieva

Apresento seguidamente alguns extractos da Obra de Fanny Moisseieva - MEU SONHO LETÁRGICO DE NOVE DIAS.

Pode ler a obra completa em:

MEU SONHO LETÁRGICO DE NOVE DIAS  

MEU SONHO LETÁRGICO DE NOVE DIAS

QUINTA PARTE     ?  (O PURGATÓRIO)

Só havia grande número de pessoas reunidas: alguns estavam sentados, outros caminhavam com apatia profunda.

Nenhum chorava, nem falava com tristeza do mundo terrestre destinado a morrer lentamente e onde todos tinham enterrado algo; e sentia-se em todos os presentes um determinado estado de espírito, como uma melancolia distinta, e distintos eram os suspiros, anseio por algo, não perdido, mas não alcançado. Esta nostalgia de Deus está presente em todos os lugares aqui...

Em tudo ao redor há um silêncio mortal. O ar é muito quente, no entanto, é mais fácil respirar aqui que no inferno; do céu fosco, chegam aqui, de vez em quando, rajadas de frescura.

De repente, vi uma luz pálida uma mancha luminosa começou a descer, deixando para trás um rastro de luz que se aproximava e me convenceu de que a mancha e a estrela luminosa eram a mesma coisa. Pouco tempo depois eu consegui distinguir que se tratava de um raio, certamente mandado por Deus. Iluminava tudo a uma grande distância.

Oh, o que alegre, santo e infinitamente querido foi esse raio para os oprimidos, habitantes aflitos deste planeta! Seus rostos, atrofiadas pelo sofrimento, se iluminaram imediatamente, com os braços estendidos para cima e uma luz de esperança se acendeu em seus olhos.

Percebi, então, que este raio não era outra coisa do que a oração pelos defuntos, pois dele já havia me falado o meu companheiro quando sobrevoou a catedral. Percebi também que, naquele momento, em qualquer lugar da terra se celebrava uma alguma coisa, e tinha lugar o mistério da consagração. Todos os fiéis elevavam orações para seus entes queridos falecidos.

Aquele raio abençoado não brilhou por muito tempo; no entanto, deu uma felicidade infinita para aquelas almas sem paz e, mesmo que por um breve momento, ele acendeu neles a esperança. Então ele desapareceu tão repentinamente quanto tinha aparecido. Tudo caiu de novo na obscuridade e pecadores voltaram a reclinar a cabeça, enquanto tudo em torno deles voltou a se clarear com fogos estranhos saídos das gretas da terra.

«Oh! Que angústia que eu senti lá atrás » - continuei -. «Eu não gostaria de acreditar nessa realidade terrível, mas como não acreditar em meus próprios olhos?» E ele: «Sim, é uma terrível realidade que tu viste.»

E vi diante de mim o rosto do mesmo santo que tinha visto no dia do juízo, cingida a cabeça com uma brilhante mitra. Ele estava vestido de forma diferente, mas seu rosto expressava imensa bondade e misericórdia. Ele se inclinou para uma pecadora absorvida em tristes pensamentos e com voz acariciadora disse categoricamente: «Coragem, não te deixes abater. Eu vou te ajudar, porque me dirigiram orações em teu favor. Tu já ouviste, no raio que desceu até ti, a oração que me dirigiram em teu favor, e também sabes quem rezou. Portanto, alegra-te e segue-me. O Senhor permitiu-me que te acompanhe à morada esplendorosa do Paraíso.»

Os olhos da pecadora brilhavam com infinita gratidão. Uma última lágrima caiu e, em seguida, a alegria brotou da alma e substituiu a negra angústia. E ela se ajoelhou, fez o sinal da cruz e disse: «Como é grande a misericórdia do Senhor, se me perdoou, a mim, que fui tão pecadora.» E o Santo, abençoando sua protegida, que estava prostrada no chão, disse: «Não há limites para misericórdia do Senhor.» Depois levantou-se e, no mesmo instante o rosto da perdoada se iluminou e desapareceu também no espaço.

Nota de João Bianchi - Este capítulo da QUINTA PARTE não traz título na versão espanhola, mas penso que seja a descrição do Purgatório, num estilo um pouco enigmático. Quando a Fanny fala de planetas, pode ser uma forma de retórica, da mesma maneira que quando vamos a um sítio em que o ambiente é totalmente diferente do nosso habitual, dizemos que parece termos chegado a outro planeta…

 

O Purgatório nas Revelações da Maria Simma

Extractos do livro:” Maria Simma e as Almas do Purgatório”

A VISÃO DO PURGATÓRIO

"O Purgatório se encontra em vários lugares", respondeu um dia Maria Simma. "As almas nunca estão "fora" do Purgatório, mas "com" o Purgatório". Maria Simma viu o Purgatório de várias maneiras: Certa vez, viu-o de um modo, noutra vez de outro. No Purgatório há uma grande multidão de almas; é um contínuo vai-e-vem. Viu, um dia, um número de almas absolutamente desconhecidas para ela. As que pecaram contra a fé tinham sobre o coração uma chama escura; as que pecaram contra a pureza, uma chama vermelha. Depois viu as almas em grupo: padres, religiosos, religiosas, viu católicos, protestantes, pagãos. Os católicos sofriam mais que os protestantes. Os pagãos, ao contrário, têm um Purgatório mais suave, mas recebem menos socorros, e sua pena dura mais tempo. Os católicos recebem mais e são libertados mais rapidamente. Viu também muitos religiosos e religiosas que ali estavam por causa de sua tibieza na fé e pela falta de caridade.

Foi revelado a Maria Simma a maravilhosa harmonia que existe entre o amor e a justiça divina. Cada alma é punida segundo a natureza de suas culpas e o grau de apego ao pecado cometido.

A intensidade dos sofrimentos não é a mesma para todas as almas. Algumas devem sofrer como se sofre na terra quando se vive uma vida dura , e devem esperar para contemplar Deus. Um dia de Purgatório rigoroso é mais terrível que dez anos de Purgatório leve. A duração das penas é muito variada. O padre de Colónia ficou no Purgatório desde 555 até a festa da Ascensão de 1954; e se não fosse libertado pelos sofrimentos aceitos por Maria Simma, continuaria sofrendo intensamente e por longo tempo.

Há também almas que devem sofrer terrivelmente até o Juízo final. Outras têm apenas meia hora de sofrimento, ou até menos: apenas "atravessam o Purgatório", por assim dizer.

O demónio pode torturar as almas do Purgatório, sobretudo as que foram causa de perdição eterna de outras.

As almas do Purgatório sofrem com paciência admirável e louvam a misericórdia divina, graças à qual escaparam do inferno. Sabem que merecem sofrer e deplorar suas culpas. Suplicam a Maria, Mãe da misericórdia.

Maria Simma viu ainda muitas almas que esperavam o socorro da Mãe de Deus.

Quem pensa, em vida, que o Purgatório seja pouca coisa e aproveita para pecar sofrerá duramente.

COMO PODEMOS AJUDAR AS ALMAS DO PURGATÓRIO?

Sobretudo com o sacrifício da Missa, que nada pode suprir.

Com sofrimentos expiatórios: sofrimentos físicos ou morais oferecidos pelas almas.

O terço é, depois da santa Missa, o meio mais eficaz para ajudar as almas do Purgatório. Dá-lhes um grande alívio. Cada dia numerosas almas são libertadas por meio do terço, caso contrário teriam de sofrer longamente.

Também a Via-Sacra pode dar-lhes grande alívio.

As Indulgências são de um imenso valor, dizem as almas. Elas são uma apropriação das satisfações oferecidas por Cristo a Deus, seu Pai. Quem, durante a vida terrena, ganhar muitas indulgências em favor dos defuntos, receberá, também, mais do que os outros na última hora, a graça de ganhar completamente a indulgência plenária concedida a todo cristão no momento da morte ("in articulo mortis"). É uma crueldade não usufruir destes tesouros da Igreja em favor das almas dos falecidos.

Vejamos: Se nos encontrássemos diante de uma montanha de moedas de ouro e se tivéssemos a possibilidade de pegar à vontade para socorrer pobres incapacitados de fazerem o mesmo, não seria cruel recusar-lhes esta ajuda? Em muitos lugares o uso das orações indulgenciadas diminui cada vez mais. Precisaria exortar mais os fiéis para esta prática devocional.

As esmolas e as boas obras, principalmente as ofertas em favor das Missões, ajudam as almas do Purgatório.

Acender velas ajuda as almas: esta atenção de amor dá-lhes um auxílio moral e também porque as velas bentas iluminam as trevas em que se encontram as almas.

Um menino de onze anos da cidade de Kaiser pediu a Maria Simma que rezasse por ele. Estava no Purgatório por ter no dia dos mortos apagado as velas que ardiam sobre os túmulos no cemitério e por ter roubado a cera por divertimento. As velas bentas têm muito valor para as almas. No dia da Apresentação (2 de Fevereiro) Maria Simma teve de acender duas velas por uma alma enquanto suportava grandes sofrimentos expiatórios por ela.

Jogar Água Benta mitiga as penas dos defuntos. Um dia, Maria Simma jogou água benta pelas almas. Uma voz lhe disse: "Mais ainda!"

Todos os meios não ajudam as almas da mesma maneira. Se, na vida, alguém teve pouca estima pela Missa, não aproveitará muito dela quando estiver no Purgatório. Se alguém errou de coração durante a vida, recebe pouca ajuda. Os que pecaram difamando os outros devem expiar duramente seu pecado. Mas, quem teve bom coração em vida, recebe bastante ajuda.

Uma alma que negligenciara a assistência à santa Missa pôde pedir oito Missas para si, porque durante a sua vida mortal mandara celebrar oito Missas por uma alma do Purgatório.

A VIRGEM MARIA E AS ALMAS DO PURGATÓRIO

Para as almas do Purgatório, Maria é a Mãe da misericórdia. Quando seu nome ecoa no Purgatório, as almas sentem uma grande alegria. Uma alma disse que Maria pedira a Jesus para libertar todas as almas que se encontravam no Purgatório por ocasião da sua morte e assunção, e que Jesus atendera ao pedido de sua Mãe. Naquele dia as almas acompanharam Maria ao céu, porque ela fora coroada Mãe de misericórdia e Mãe da divina graça. No Purgatório Maria distribui as graças segundo a vontade divina: ela passa com frequência pelo Purgatório. Isso é o que Maria Simma viu.

AS ALMAS DO PURGATÓRIO E OS AGONIZANTES

Durante a noite da festa de Todos os Santos uma alma lhe disse: "Hoje, dia de todos os Santos, morrerão duas pessoas em Voralberg; elas estão em grandes perigo de condenação. Não se salvarão se não se rezar insistentemente por elas".

Maria Simma rezou e foi auxiliada por outras pessoas. Na noite seguinte uma alma veio dizer-lhe que as duas tinham escapado do inferno e estavam no Purgatório. Um dos dois doentes recebera os santos sacramentos, o outro os rejeitara.

Segundo o que dizem as almas do Purgatório, muitos vão para o inferno porque pouco se reza por eles. Inúmeras almas poderiam ser salvas se, pela manhã e à noite, fosse rezada esta oração indulgenciada e três ave-marias por aqueles que vão morrer naquele dia:

"Ó misericordioso Jesus, que ardeis de tão grande amor pelas almas, eu vos suplico, pela agonia do vosso Sacratíssimo Coração e pelas dores de vossa Mãe Imaculada, que purifiqueis no vosso preciosíssimo sangue todos os pecadores da terra que estão em agonia e que hoje mesmo hão de morrer. Coração agonizante de Jesus, tende piedade dos moribundos"

Maria Simma viu numerosas almas na balança entre o Purgatório e o inferno.

ALGUMAS INSTRUÇÕES

As almas do Purgatório preocupam-se muito connosco e com o Reino de Deus. Temos prova disso por meio das advertências que fizeram a Maria Simma. As que se seguem foram retiradas de suas anotações:

Não precisa lamentar-se dos tempos que atravessamos. É necessário dizer aos pais que eles são os principais responsáveis. Eles não podem prestar pior serviço aos seus filhos que atender a todos os seus desejos, dando-lhes tudo o que querem, simplesmente para que fiquem contentes e não gritem. Assim, o orgulho forma raiz no coração da criança.

Mais tarde, quando a criança começa a frequentar a escola, não saberá sequer rezar um Pai-nosso, nem fazer o sinal da cruz. De Deus, às vezes, não sabe coisa alguma. Os pais se desculpam dizendo que isso é o dever do catequista e dos professores de religião.

Onde o ensino religioso não é dado, a partir da infância, mais tarde a religião será fraca. Ensinem a renúncia às crianças! Por que há hoje esta indiferença religiosa e esta decadência moral? Porque as crianças não aprenderam a renunciar. Mais tarde tornam-se descontentes e pessoas sem discrição que fazem tudo e querem ter tudo em profusão. Isso provoca desvios sexuais, práticas anticoncepcionais e aborto. Todos estes actos pedem vingança ao Céu!

Quem não aprendeu de criança a renunciar, torna-se egoísta, sem amor, tirânico. Por este motivo há tanto ódio e falta de caridade. Queremos ver tempos melhores? Comece-se a partir da educação das crianças.

Peca-se de modo assustador contra o amor ao próximo, sobretudo com a maledicência, a enganação e a calúnia. Onde começa? No pensamento. É preciso aprender estas coisas desde a infância e procurar afastar imediatamente os pensamentos contrários à caridade. Tais pensamentos sejam combatidos e assim, não se julgará os outros sem caridade.

O apostolado é um dever para todo católico. Alguns o exercem com a profissão e outros com o bom exemplo. Lamenta-se que muitos são corrompidos pelas conversas contra a moral ou contra a religião. Por que os outros se calam? Os bons devem defender suas convicções e declarar-se cristãos. No curso da história da Igreja a salvação das almas e da civilidade cristã não foram, para os leigos, um dever mais urgente e mais imperioso que em nossos dias? Todo cristão deveria buscar o Reino de Deus e fazê-lo progredir; caso contrário, os homens não serão mais capazes de reconhecer o governo da Providência.

A preocupação da alma não deve ser sufocada pela preocupação exagerada com o corpo.

Dia 22 de Junho de 1955, durante a noite, ouvi distintamente: "Deus exige uma expiação". É com sacrifícios voluntários e com a oração que se pode expiar mais.

 

O Purgatório nas Revelações da Maria Valtorta

Cadernos de Maria Valtorta 17 de Outubro de 1943

Quero explicar-te o que é e em que consiste o Purgatório.

E vou te explicar de forma que há-de chocar a muitos que se crêem depositários do conhecimento do além, mas não o são …

As almas imersas naquelas chamas não sofrem senão por o Amor.
No desmerecedoras de possuir a Luz, más tão pouco dignas ainda de entrar imediatamente no Reino da Luz,  já que ao apresentarem-se diante de Deus, são revestidas pela dita Luz.
Morrem em estado de graça mas não têm purificada totalmente a sua alma.
Pois não pagaram as penas que se acumulam em virtude dos pecados cometidos na Terra.
Numa breve e antecipada bem-aventurança que certifica a sua salvação, faz-lhes ver o que será a sua eternidade e o que fizeram à sua alma privando-a de anos ou de séculos de feliz possessão de Deus.

O que é que quer o Deus Uno e Trino para as almas criadas por Ele? O Bem.

Ele que quer o Bem para uma criatura, que sentimentos abriga para com ela? Sentimentos de Amor.

¿Quais são os mandamentos primeiro e segundo, os dois mais importantes, aqueles de que Eu disse não haver outros maiores e estar neles a chave para franquear a vida eterna?

É o mandamento do Amor: Amar a Deus com todas tuas forças e ao próximo como a ti mesmo.

¿Que vos disse uma infinidade de vezes pela minha boca, pela boca dos profetas e dos santos?

Que a Caridade é a maior das absolvições.

Que a Caridade cancela as culpas e as debilidades do homem, já que quem Ama vive em Deus e, ao viver em Deus, peca pouco e se peca, rápido se arrepende, e o que se arrepende, recebe rapidamente o perdão do Altíssimo.
Em que faltaram as almas?
No Amor, de haver amado muito, cometeram poucos pecados e estes leves, devidos à vossa debilidade e imperfeição.

Por isso, amando na Terra é como trabalhais para o Céu.

Amando no Purgatório é como conquistais o Céu, que na vida não soubestes merecer.

E amando no paraíso é como gozais o Céu.

Este é o tormento: a alma recorda a visão de Deus havida no Juízo Particular.

Se leva consigo aquela recordação é porque, ainda quando não seja mais que o ter entrevisto a Deus, representa um gozo que supera qualquer outra coisa criada e a alma desfaz-se em desejos de voltar a gozar daquela dita.

Aquela recordação de Deus e aquela Luz que o penetrou ao comparecer diante de Deus, fazem efectivamente que a alma “veja” em sua exacta dimensão as faltas cometidas contra seu bem, e este “ver”, junto com o pensamento de que com aquelas faltas se privou voluntariamente de anos o de séculos da possessão do Céu e da união com Deus, constitui a sua pena purgativa.

O Amor e a convicção de ter ofendido o Amor é o tormento dos purgantes.

 

Cadernos de Maria Valtorta 24 de Outubro de 1944

Oração pelas almas do Purgatório ensinada por Jesus

Reza assim por eles:

Oh Jesus, que com a Vossa gloriosa Ressurreição nos mostrastes como serão eternamente os “filhos de Deus”, concedei a santa ressurreição aos nossos seres queridos, falecidos na Vossa Graça, e a nós, quando chegar a nossa hora.

Pelo sacrifício do Vosso Sangue, pelas lágrimas da Virgem  Maria, pelos méritos de todos os Santos, abri o Vosso Reino aos seus espíritos.

Oh Mãe, cuja aflição finalizou com a alvorada Pascal diante do Ressuscitado e cuja espera de reunir-Vos com o Vosso Filho cessou no gozo da Vossa gloriosa Assunção, consolai a nossa dor, livrando das penas a quem amamos, até para além da morte, e rogai por nós que esperamos a hora de voltar a encontrar num abraço a quem perdemos.

Mártires e Santos que estais jubilosos no Céu, dirigi um olhar suplicante a Deus, e outro fraterno aos defuntos que ainda expiam, para rogar ao Eterno por eles e para lhes dizerdes: “É aqui que a Paz se abre para vós”.

Amados, tão queridos, não perdidos mas tão só separados, que as vossas orações sejam para nós o beijo que ansiamos, e quando pelos nossos sufrágios estiverdes livres no sublime Paraíso, com os Santos, protegei-nos, amando-nos na Perfeição, unidos a nós pela invisível, activa e amorosa Comunhão dos Santos, antecipação da perfeita reunião dos “benditos”, que nos concederá, além de gozarmos a visão de Deus, vos encontrar como vos tivemos, mas sublimados pela Glória do Céu. Amen.

Com aprovação eclesiástica outorgada por Monsenhor Roman Danylak.

 

 Conclusão e Conselhos

Tendo consciência de que quase não há ninguém que morra e não passe pelo Purgatório antes de ir para o Céu, temos de fazer o que estiver ao nosso alcance para ajudar as almas do Purgatório a saírem daquele sofrimento imenso em que se encontram. Temos de nos preocupar em rezar pelas almas do Purgatório, porque para além de ser uma obra de caridade, tudo o que fizermos por elas, também reverte a nosso favor, pelo amor e pela Fé demonstrados. Temos de adquirir uma verdadeira consciência de que a Comunhão dos Santos, dogma da Igreja, é uma realidade espiritual, na qual todos somos responsáveis uns pelos outros.

Manuscrito do Purgatório da Irmã Maria da Cruz

Comparado com a quantidade de almas o local é limitado pois elas são milhões e milhões, mas que espaço é necessário para uma alma? Em cada dia chegam milhares e a maior parte fica trinta a quarenta anos. Algumas ficam ainda bastante mais tempo, outras menos. Digo-lhe isto segundo os cálculos da Terra, porque aqui é outra coisa. Ah! Se se soubesse como é o Purgatório! Quando se Pensa que é por culpa própria que para aí vamos! Estou no Purgatório há oito anos e parece-me que já são dez mil... Oh, meu Deus! Diga tudo isto ao seu Padre!... Que aprenda de mim o que é este lugar de sofrimento, para que, de futuro, o torne mais conhecido.

Dos principais pecados, a falta de Amor a Deus, é dos maiores, pois atenta contra o Primeiro Mandamento. Só por esse enormíssimo pecado, todas as almas terão de se purificar no Purgatório.

Manuscrito do Purgatório da Irmã Maria da Cruz

… no momento em que Deus a chame a prestar contas da sua vida. São vidas sem amor a Deus e sem pureza de intenção, vidas quase nulas que têm de recomeçar na expiação. A alma que deve viver de Deus, não viveu para Ele, portanto tem de recomeçar a sua vida no meio de sacrifícios espantosos!Não aproveitou a misericórdia divina enquanto habitou a Terra porque era escrava do corpo. No local de purificação tem de pagar até ao último centavo e readquirir o seu esplendor primitivo. É assim para almas indiferentes à sua salvação.

No Conselho de Trento foi dito:

Concílio de Trento, Sessão VI. Cf Denzinger 840

Se alguém disser que, depois de ter recebido a graça da justificação, a falta e a pena são remidas ao pecador arrependido a tal ponto que não lhe fica nenhuma pena temporal neste mundo ou no Purgatório, no outro mundo, antes que lhe seja concedida a entrada no Reino dos Céus, que seja anátema!

Por tudo isto, temos de rezar muito pelas almas dos fiéis defuntos que se encontram no Purgatório. Muitos dos nossos familiares queridos podem lá se encontrar ainda, e sem ninguém que reze por eles…

 

Os maiores sufrágios para a libertação das almas do Purgatório podem ser alcançados através:

Santa Missa

Trintário de Missas - São Trinta Missas diárias com a única intenção de Indulgenciar uma única alma. Está prometido que no fim das trinta Missas a alma sairá do Purgatório.

Via-Sacra

Rosário

Terço da Divina Misericórdia

Novena da Divina Misericórdia

Aspersão de Água Benta

Penitências

Os 7 Pai Nossos de Santa Brígida

Oh meu Jesus

Oração pelas Almas do Purgatório

Indulgências      o     Manual das Indulgências

 

 



www.amen-etm.org/Purgatorio.htm